26 novembro 2014

Tag inaugurativa: Não é resenha de produtos / Documentário "Good Hair", com Chris Rock

Amores crespos, hoje é um dia feliz no nosso blog, pois estamos inaugurando a tag "Não é resenha de produtos", onde vamos postar sobre alguns documentários, vídeos, filmes, música, livros, etc. Essa é uma ideia pra discutirmos melhor e com base sobre a aceitação do cabelo natural e vocês podem ficar à vontade pra nos fazer indicações. Vale tudo, desde uma música curtinha a um vídeo ou um filme com essa nossa temática. ;)

Claro, vamos ter resenhas de produtos sim, mas percebi que ultimamente o blog fez muitas resenhas de produtos e outros blogs também fazem muito, não devemos excluir as resenhas, mas ter cuidado para não acabar contribuindo para o consumismo exacerbado é importante. Então pra equilibrar as coisas teremos os dois. 
Para começo de tag, trago a resenha sobre o Documentário "Good Hair", vamos lá?


Sinopse: A partir de uma pergunta da sua filha, que aos 5 anos quis saber por que ela não tinha "cabelo bom", Chris Rock escreveu, produziu e protagonizou este divertido documentário que mostra com seriedade, mas também com grandes doses de humor, como o fato de a cultura americana associar cabelo liso a beleza, cuidado pessoal e profissionalismo afeta as mulheres.

Bom, eu já havia recebido várias indicações a respeito desse documentário e até então, nunca havia parado pra assistí-lo. E quando o vi, que presente de informações pude ganhar pra refletir! De forma bem humorada, como vocês viram na sinopse, o que posso dizer é que o documentário dá "facadas no estômago" de muita gente...!

E a ideia não é levantar nenhuma bandeira, nem para quem usa química, nem para quem faz o uso do natural. Até porque tem os radicais que porque estão na luta do natural, saem criticando por aí qualquer pessoa que usa química. É o mesmo preconceito daqueles que por serem negros, não admitem brancos usando turbante. Nem sempre uma pessoa que se utilize das nossas marcas estão fazendo somente por moda. A não ser que cheguemos até a pessoa em questão e iniciemos um diálogo, aí, sim, saberemos se é apropriação por moda ou não. Não devemos nós, ser os preconceituosos. Mas sobre isso eu vou aumentar a fala, na próxima resenha de filme, que será o filme "Quilombo"#aguardaaí

Quanto ao liso não-natural, eu devo dizer que não sou contra quem use química. Eu sou contra o uso cego e inconsciente de algo que não só está mudando nosso visual, quanto foi imposto por um padrão que a sociedade vem definindo e a mídia reforçando. Porque somos um país misto e a beleza dele é a diversidade e essa beleza vem sendo combatida pelo padrão do cabelo liso. Também devo acrescentar, que nenhum de nós deve cometer o crime a nós mesmos de nunca ter tido contato com nossa estrutura capilar natural e concluir antecipadamente que o nosso crespo "não combina com a gente" é mesmo passar pela vida sem olhar a si mesmo. Esses discursos me doem na alma.

Mas aí, tem aqueles que passaram pela transição, voltaram ao natural, tiveram contato com seu cabelo tratado, e falo do tratado porque uma coisa é voltar para o natural com aquela memória da infância em que a mãe por não saber cuidar do nosso cabelo, penteava-o seco, nunca hidratava, fazia "lalaus" que nos deixava chineses e mandava pra escola, onde o diretor, coleguinhas e professores por uma questão infelizmente cultural fazia questão de nos tratar como alienígenas, não! Não é disso que falo, é de aprender a cuidar do nosso cabelo e voltar pra essa parte da infância em que foi apagado ter aprendido a lidar com a nossa própria identidade, ao invés de modificá-la. E se depois disso, você ou eu decidirmos voltar para a escravidão da química capilar, depois de ter tido um reencontro conosco e nossas raízes, de poder responder pra nós e pra os outros que sabemos quem somos e ninguém nos dita, que o nosso cabelo não é um acessório para ser combinado com qual roupa, só depois disso, me surpreenderei muito se voltarmos às químicas. Porque o resgate de vida e de amor próprio é incalculável para quem volta pra si. É de fora para dentro e de um poder imensurável.

Por isso às vezes os cabelos crespos são chamados “cabelos de criança”. É essa criança que teve que modificar a sua imagem para ser aceita que estamos retomando, dessa vez mais forte e com sua identidade mais firme porque se apropriou da sua história e sabe cuidar do seu cabelo, não para deixá-lo "arrumadinho" ou para "domá-lo", mas para libertar-se desses paradigmas se amando e se aceitando e refletindo auto-estima ao mundo lá fora.

Eu gostaria de sugerir esse documentário principalmente às mães, pais, tias, avós... Enfim, qualquer pessoa que crie ou lide com crianças afrodescendentes. Aprendendo já desses, a quem nos espelhamos, que ter o cabelo crespo não é algo negativo, será com outros olhos que a criança irá encarar as outras e não se sentir menosprezada em relação a elas.
Eu quero crianças repetindo aos preconceituosos de berço: “Não tenha inveja do meu cabelo!”

Por fim, e como a mensagem do documentário no fundo no fundo é essa também, façamos com nossas cabeças e nossos corpos o que quisermos, PORÉM, não sem antes colocar as interrogações nos devidos lugares, ao invés de somente fazê-lo. Foi o que Chris Rock fez, Vocês vão ver até porque os radicais radicalizam, é muita exploração envolvida na indústria do "cabelo bom" e muita falta de humanidade para o nosso lado. E que optar pelo uso do cabelo natural é optar por não contribuir com o sistema que explora exatamente os nossos bolsos, quando sabem que desde a mulher negra com alto poder aquisitivo à de baixo, estão ambas de aplique no cabelo. Mas isso eu quero que vocês assistam.

Eu consegui assistir no Netflix, legendado. Mas você pode buscar on-line em outros sites também. Garanto que vale a pena e se você assim como eu se identificou, volte pra dividir seus pontos de vista. Por hoje é só, obrigada por estar conosco aqui no blog e até a próxima postagem.... *-*

2 comentários:

  1. Adorei a dica, vou procurar esse documentário.
    http://www.garotadosuburbio.com/

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